segunda-feira, 19 de agosto de 2013

Bienal do Livro em São Paulo 2012


Bienal do Livro em São Paulo 2012





(POESIA)


FOTOGRAFIA


Registre minha imagem de perfil
Deixe ao natural,
nada de photoshop
Retocar a originalidade
deprecia o Criador
Os anos passaram,
alegrias, tristezas,
tudo ficou registrado
Retrate
nessa moldura
chamada rosto,
o gosto pela vida
Vivida, cantada
em prosa e verso
e abençoada por Deus

Marília Tavernard


POETRIX



INVERNO TOTAL

Paisagem cinza
Respingos no vidro da sala
Úmidos olhos

Marília Tavernard



terça-feira, 7 de maio de 2013

PROSA

NOSTALGIA

                A tarde é morna, olho em volta de mim e vejo as folhas das árvores balançando ao vento quente. Mas a tarde escorre entre as horas deixando prever a chegada da noitinha. Caminho apreciando o movimento das pessoas e dos carros. Encontro um banco vazio na praça, que sorte! Sento e observo.
                As lembranças sentam ao meu lado e o filme começa. Nessa praça, algumas vezes, o namoro, encostados no carro fluíam beijos, abraços, carícias... Outras vezes, a lembrança das caminhadas após o trabalho ao lado de uma grande amiga, onde ríamos e trocávamos confidências, experiências e saboreávamos uma água bem docinha, na barraquinha do coco. Nessa mesma praça onde tantas vezes levei meu filho para passear, ainda o posso ver correndo atrás das bolinhas de sabão que insistia sempre em comprar. Como cresceu meu menino!
                Percebo então que não sou mais criança, nem jovem na idade, apesar dessas sensações ainda permanecerem dentro de mim. Ora sou jovem na alma, conversando com meu filho e seus amigos, inventando brincadeiras para a noite de natal, ora me sinto como uma criança ainda, que adora raspar as sobras do brigadeiro na panela, que adora um filme de animação acompanhado de pipoca e refrigerante e também de um belo banho de chuva. Se for em Mosqueiro, melhor. Apesar da idade, os gostos não mudam tanto assim...
                Por que o tempo avança com essa velocidade incontida? Será que ele não vê que ainda queremos ser partícipes da vida? Que se continuar assim, em breve, estaremos com limitações de movimentos, de fala, de audição e esquecimentos?
                Não dá pra ser verdade o filme “O curioso caso de Benjamin Button”? Quero nascer velho e morrer criança.

Marília Tavernard (27/12/2012)

domingo, 28 de abril de 2013

POETRIX



ESPERANÇA


A vida se fez escuridão
Mentes em desalinho
Brilham ainda as estrelas


Marília Tavernard

POETRIX



DESORIENTADO


Meu coração usa vicinais

Despisto rastros teus

Me perdi outra vez


Marília Tavernard
















DESORIENTADO
Meu coração,
usa vicinais,
para te despistar.

sexta-feira, 27 de julho de 2012

POETRIX



APLAUSOS


Executou o ato
 A vida, palco 
 Superou o drama


Marília Tavernard

POETRIX


RENASCER


Podei a vida
Cortei amarras
Flori


Marília Tavernard

sexta-feira, 16 de março de 2012

PROSA

UM DIA EU CHEGO LÁ

Ontem li um texto chamado Fome, sede e vontade de ler de Fabiano Cambota que fez com que a cada linha despontasse um leve sorriso para, logo depois, um sorriso mais aberto aparecer em meu rosto. O motivo era a gostosa leitura e a viagem que o texto nos levava a fazer na comparação de nossas necessidades físicas com a necessidade de leitura. Imaginem que a leitura foi feita em uma prova de concurso público. Um domingo que parecia ser como outro qualquer, o texto fez toda a diferença, foi prazeroso. Então, comecei a pensar que gostaria de escrever assim, como os grandes. Veríssimo, Neruda, Drummond, Florbela, Goulart, sou fã, mas longe estou disso. Rosa Pena, amiga, escritora, poeta, é demais nesse mundo da escrita. A cada leitura de sua obra é um prazer que desperta dentro de nós, é um encontro com nosso eu. Um dia eu chego lá. Essa coisa de escrever para remexer sentimentos, passar para o leitor a interpretação de pensamentos, de experiências de vida é como desnudar o ser interior no momento. Escrever inteligente, deixando brotar a sentimentalidade, transferindo impressões e opiniões, faz com que os escritos traduzam realidades e sonhos. Escrever para os que descobrem nas entrelinhas a realidade e a fantasia é apaixonante. O despertar da imaginação através do derramar de letras no papel, transformando-as em textos maravilhosos, nos faz desejar ser devorados sempre mais e mais por leitores altamente vorazes.