terça-feira, 7 de maio de 2013

NOSTALGIA, PROSA DE MARÍLIA TAVERNARD

NOSTALGIA

                A tarde é morna, olho em volta de mim e vejo as folhas das árvores balançando ao vento quente. Mas a tarde escorre entre as horas deixando prever a chegada da noitinha. Caminho apreciando o movimento das pessoas e dos carros. Encontro um banco vazio na praça, que sorte! Sento e observo.
                As lembranças sentam ao meu lado e o filme começa. Nessa praça, algumas vezes, o namoro, encostados no carro fluíam beijos, abraços, carícias... Outras vezes, a lembrança das caminhadas após o trabalho ao lado de uma grande amiga, onde ríamos e trocávamos confidências, experiências e saboreávamos uma água bem docinha, na barraquinha do coco. Nessa mesma praça onde tantas vezes levei meu filho para passear, ainda o posso ver correndo atrás das bolinhas de sabão que insistia sempre em comprar. Como cresceu meu menino!
                Percebo então que não sou mais criança, nem jovem na idade, apesar dessas sensações ainda permanecerem dentro de mim. Ora sou jovem na alma, conversando com meu filho e seus amigos, inventando brincadeiras para a noite de natal, ora me sinto como uma criança ainda, que adora raspar as sobras do brigadeiro na panela, que adora um filme de animação acompanhado de pipoca e refrigerante e também de um belo banho de chuva. Se for em Mosqueiro, melhor. Apesar da idade, os gostos não mudam tanto assim...
                Por que o tempo avança com essa velocidade incontida? Será que ele não vê que ainda queremos ser partícipes da vida? Que se continuar assim, em breve, estaremos com limitações de movimentos, de fala, de audição e esquecimentos?
                Não dá pra ser verdade o filme “O curioso caso de Benjamin Button”? Quero nascer velho e morrer criança.

Marília Tavernard (27/12/2012)

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